automoveisThiago GomesComo identificar sinais de batida em um carro usado
Nem toda colisão transforma um carro em um mau negócio. Muitos veículos sofrem pequenos acidentes durante a vida útil e são reparados corretamente. O problema aparece quando os danos foram mais graves, a recuperação foi mal executada ou o comprador desconhece completamente o histórico do automóvel.
Por isso, aprender a identificar sinais de batida é uma das etapas mais importantes na compra de um carro usado.
Comece observando o carro de longe
Antes mesmo de abrir portas ou levantar o capô, vale a pena parar alguns metros de distância e simplesmente olhar o veículo.
Diferenças no alinhamento da carroceria costumam ser percebidas com mais facilidade dessa forma.
Repare se:
- o capô parece torto;
- as portas apresentam espaços diferentes entre si;
- o porta-malas não fecha de maneira uniforme;
- um lado do carro parece diferente do outro.
Pequenas variações podem ser normais, mas diferenças evidentes merecem investigação.
Diferenças na pintura podem revelar reparos
Uma das pistas mais comuns está na própria pintura.
Em ambientes bem iluminados, observe se existem áreas com:
- tonalidade ligeiramente diferente;
- excesso de brilho;
- aspecto mais opaco;
- textura diferente do restante da carroceria.
Muitas vezes, uma peça repintada não significa necessariamente um acidente grave. Um simples arranhão pode exigir nova pintura. O importante é entender por que aquele reparo foi feito.
Analise os parafusos do capô e das portas
Os fabricantes pintam os parafusos junto com a carroceria.
Quando uma peça é removida, normalmente ficam marcas de chave ou pequenas áreas sem tinta.
Abra o capô e observe os parafusos:
- dos para-lamas;
- das dobradiças do capô;
- das portas;
- do porta-malas.
Marcas de desmontagem podem indicar substituição ou reparos anteriores.
Observe os vidros
Os vidros originais geralmente possuem a mesma marca e o mesmo ano de fabricação.
Se um dos vidros apresenta fabricante diferente dos demais, isso pode indicar que foi substituído em algum momento.
Novamente, isso não prova a existência de um acidente grave, mas é uma informação importante para compor o histórico do veículo.
O interior também conta uma história
Algumas colisões provocam o acionamento dos airbags.
Por isso, vale a pena observar:
- encaixe do volante;
- acabamento do painel;
- costuras dos bancos;
- luz de advertência do airbag no painel.
Acabamentos mal encaixados ou diferenças no material podem indicar reparos anteriores.
Levante o carpete do porta-malas
Pouca gente faz isso durante uma visita ao veículo.
Debaixo do revestimento do porta-malas é possível encontrar:
- soldas;
- deformações;
- pontos de ferrugem;
- marcas de reparo.
Como essa área costuma ser menos visível, alguns reparos deixam sinais mais evidentes.
Ferrugem em locais incomuns merece atenção
A ferrugem pode aparecer naturalmente em veículos antigos, mas alguns pontos merecem investigação:
- junções da carroceria;
- região das caixas de roda;
- área próxima ao porta-malas;
- pontos de solda.
Dependendo da origem, a ferrugem pode indicar reparos mal executados após colisões.
Nem toda batida deve eliminar a compra
Um para-choque substituído ou um pequeno reparo em uma porta não tornam automaticamente o carro ruim.
O que realmente preocupa são danos estruturais que afetaram:
- longarinas;
- colunas;
- teto;
- suspensão;
- pontos de fixação importantes da carroceria.
Esses casos podem comprometer a segurança do veículo.
Uma vistoria especializada pode evitar prejuízos
Mesmo pessoas experientes podem deixar passar alguns detalhes.
Empresas de vistoria e mecânicos especializados possuem equipamentos capazes de identificar:
- repinturas;
- espessura irregular da tinta;
- desalinhamentos estruturais;
- sinais de reparos ocultos.
O custo desse serviço costuma ser pequeno em comparação ao valor do carro.
Comprar com calma é sempre a melhor estratégia
A ansiedade costuma ser uma das maiores inimigas do comprador.
Quando o vendedor pressiona pela decisão imediata ou tenta impedir uma inspeção mais detalhada, o ideal é redobrar a atenção.
Existem muitos carros disponíveis no mercado. Perder uma oportunidade duvidosa costuma ser melhor do que assumir um problema que pode acompanhar o proprietário por muitos anos.
Conclusão
Um carro usado não precisa ser perfeito para ser uma boa compra.
O mais importante é conhecer seu histórico, entender quais reparos foram realizados e verificar se a estrutura do veículo permanece íntegra.
Quanto mais transparente for a negociação, maior será a tranquilidade depois da compra.